Mileva Maric – a mulher de Einstein

A História insiste em esconder as mulheres que viveram sempre na sombra dos homens, e a história que hoje vos trago é apenas mais um desses casos, entre muitos.

Surge com a descoberta de “54 cartas de amor” que Albert Einstein escreveu à sua primeira mulher, Mileva Maric (e que ela guardou religiosamente), dando origem a uma polémica sobre até que ponto Mileva terá ou não contribuído cientificamente para a obra do famoso físico.

As dúvidas tornam tudo relativo. Para mim, esta é a verdadeira teoria da relatividade.

Mileva Maric nasceu na Sérvia, em 19 de Dezembro de 1875. Descendente de uma família rica, mostrou, desde muito jovem, ser uma menina com uma inteligência excepcional.

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Desde a nascença que apresentava um problema nas pernas que, naquela época, a medicina ainda não conseguia corrigir, pelo que foi obrigada a viver com essa deficiência toda a sua vida. Apesar de se revelar extraordinariamente talentosa e inteligente, viu ser-lhe negada a entrada em várias faculdades na Europa. Mas como o pai, oficial do Governo do império Austro-Húngaro, lhe quis dar a melhor educação possível, enviou-a para Zurique, a fim de que pudesse estudar Medicina.

Entretanto, no ano de 1896, Mileva desistiu desse curso e matriculou-se em Física e Matemática, no Polytechnikum de Zurique (ETH a partir de 1911), onde conheceu Albert Einstein. Foi a única mulher a conseguir entrar, então, na faculdade, e viria a ser figura de destaque naquele prestigiado curso de matemática. Mileva e Albert tornaram-se colegas e depressa ficaram amigos. Sabe-se que estudavam juntos, e que assim conseguiram resolver complexos teoremas matemáticos.

A admiração que nutriam um pelo outro acabou por se transformar em amor. Este romance, que começou em 1986, originou “54 cartas de amor” e uma filha, a qual foi mantida em segredo pelas famílias. Até hoje, nada se sabe ao certo sobre ela, mas pensa-se que tenha sido dada para adopção. Só há conhecimento da existência desta criança através das cartas trocadas pelo casal, onde há uma breve referência de que a menina (de nome Liesl) teria morrido de escarlatina.

Casaram-se em 1903. Em 1905, Albert Einstein publicou a primeira versão da Teoria da Relatividade, onde o nome de Mileva constava como co-autora. Mas a referência desapareceu nas versões seguintes. Com base nisto e nas secretas cartas de amor que foram encontradas em 1981, e em que o cientista fala da “nossa teoria”, surgiu uma polémica, que possivelmente nunca será desvendada, sobre em qual dos Einstein deve recair o mérito do trabalho. Há quem levante a dúvida sobre se Albert conseguiria ter chegado à “Teoria” sozinho, sem o precioso auxílio de Mileva. Tudo indica, assim, que Mileva terá resolvido, ou ajudado a resolver, parte do raciocínio matemático desta Teoria, o que não é, de todo, pouco, face à enorme complexidade da matéria.

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O casal teve mais dois filhos: Hans Albert e Eduard. Após o nascimento do segundo, Mileva afastou-se das ciências para cuidar da família, e o casal entrou em ruptura. A separação representou um golpe muito duro na vida dela, do qual nunca recuperou.

Albert amantiza-se, entretanto, com uma prima, Elsa Löwenthal, com quem viveria até à morte dela.

A mulher talentosa que abdicou da carreira pela família adoece e, em 1919, concretiza-se o divórcio, cinco anos depois da separação. No acordo deste divórcio existia uma cláusula em que o cientista aceitava entregar-lhe todo o dinheiro que eventualmente ganhasse com um Prémio Nobel. Quando, em 1921, Einstein recebeu este prémio, entregou o respectivo valor a Mileva, deixando transparecer que assim reparava algum tipo de injustiça.

O nome Mileva Maric foi-se apagando, até ser esquecido pela História. Para além de um livro de Djordje Krstic, intitulado “Albert e Mileva Einstein – seu amor e colaboração”, que menciona a pesquisa deste autor sobre o casal, foi ainda criado pela Universidade de Novi Sad, em 1994, o Prémio Mileva Maric, a atribuir ao melhor estudante de matemática.

Não há dúvidas de que a teoria da relatividade é de um Einstein. Resta-nos saber de qual deles?!

Pode-se ver o documentário em: https://www.youtube.com/watch?v=O4YaAVo3tvg

4 thoughts on “Mileva Maric – a mulher de Einstein”

  1. Obrigada Alda. Está muito bem estruturada e sintetizada a historia deste maravilhoso casal e o medo do feminino. Bem hajas. Parabéns pelo artigo e um beijo.

  2. Alguns autores pesquisaram sua vida durante dйcadas, como Djordje Krstic, cujo livro Albert e Mileva Einstein – seu amor e colaboraзгo , que foi publicado em sйrvio apуs sair em esloveno e inglкs, apresenta uma sйrie de argumentos defendendo que as obras revolucionбrias foram produto de um trabalho em comum.

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