À Conversa com Maria Viana

Filha do saudoso actor, encenador e pintor José Viana, Maria Viana é uma cantora de Jazz, prestes a comemorar os seus 40 anos de carreira. Orgulhosamente, disse-me que cantou com todos os grandes nomes da música portuguesa da sua geração e da geração seguinte, com especial destaque para Sassetti, Barretto, Mª João, Anadon ou Zé Eduardo, como me confessou, cheia de carinho por todos eles.

A nível internacional, Maria cantou com Al Grey, Norman Simmons, Greg Hutchinson, Andrea Pozza, Kirk Lightsey e Sheila Jordan, entre muitos outros artistas. E, com o seu jazz, passou por França, Itália, Angola, Dinamarca, Suécia, sempre com enorme sucesso.

Foi agraciada com a Medalha de Mérito Cultural do Município de Cascais.

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Maria é uma mulher notável.

É possuidora de uma energia tão evidente e contagiante, que mais parece ligada à electricidade. Toda ela faísca amor quando solta a voz pelo Jazz.

Com um sorriso aberto e franco, Maria Viana é dotada de uma extrema simpatia, sem vedetismo, nem sonhos de glória. Julga-se uma privilegiada, por ter o dom de conseguir expressar as suas emoções através do canto. E, baixinho, contou-me: “ O meu pai ensinou-me que a maior fortuna é saber cultivar a amizade”. E com uma gargalhada acrescentou, de imediato “ E a vida ensinou-me, sem renegar o que o meu pai me disse, que é quase impossível não ter também inimigos de estimação.” E piscou-me o olho.

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Apesar de apaixonada pela carreira, colocou sempre a família em primeiro plano e nunca se arrependeu. Sim, porque entende que o lugar da família é mesmo esse.

Maria Viana é, ainda, Presidente da Associação, sem fins lucrativos, Jam Session, cuja face mais visível é o Cascais Jazz Club, onde actua de 5ª feira a domingo, juntamente com muitos outros nomes bem conhecidos na área do jazz.

É um clube onde emerge uma agradável intimidade e onde nos sentimos como se estivéssemos na nossa própria casa rodeados de amigos, com uma bebida em cima da mesa, enquanto somos envolvidos pelo som do jazz improvisado tocado ao vivo. É um espaço onde todos se conhecem, conversam, trocam ideias e partilham momentos únicos.

Frequentado pelos associados, grande parte deles artistas, a maioria deles actores, músicos, escritores e pintores, e por simples amantes do jazz, o Cascais Club Jazz situa-se numa zona nobre do centro de Cascais e é obrigatório conhecê-lo.

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Maria tem sempre uma história para nos divertir e fá-lo com uma graça e um entusiasmo invulgar. E com a boa disposição que espalha à sua volta em todos os momentos da sua vida, Maria contou-me que no dia 8 de Abril estava uma noite tão agradável que resolveu, com meia dúzia de amigos, abrir o Club, pela primeira vez, a uma 4ª feira.

Como foi uma decisão de momento, não esperava um grande movimento, pois não tinha anunciado, por qualquer forma, a abertura nesse dia.

De repente o club foi invadido por uns associados que passaram ocasionalmente por lá, quando regressavam de um congresso, e em escassos minutos o club encheu.

Acompanhada pelo pianista, o moçambicano Ferdinando Fernandes, Maria começou a cantar e mal libertou o primeiro som, quatro pessoas sentadas a uma mesa levantaram-se, de imediato, e aplaudiram-na efusivamente. No final da canção o entusiasmo foi idêntico, sendo que esses 4 elementos gritavam de tal modo, que destoavam do conjunto da ovação.

E Maria, feliz com aquele apoio, não conseguiu deixar de pensar que deveria ser assim todos os dias.

E a cada canção que Maria cantava, essas 4 pessoas, todas elas estrangeiras, repetiam os mesmos gestos, como se tivessem uma mola, aplaudindo e gritando repetidamente “bravo”.

Maria já não sabia como agradecer, ela que de tímida não tem nada. Sentiu-se pequenina e surpreendida com aqueles 4 elementos que sistematicamente explodiam em aplausos de um modo tão caloroso que a constrangia ao ponto de não saber mais como dizer “obrigada”.

São momentos como estes, totalmente inesperados e proporcionados pelos verdadeiros amantes do jazz, que dão valor a uma carreira como a da Maria Viana, onde a improvisação é o elemento natural deste género de música.

Aproveito para vos deixar uma informação. Instituído pela Unesco, o dia 30 de Abril é o dia internacional do Jazz. A Jam Session, com o apoio de um sócio benemérito e dos restaurantes circundantes da Rua das Flores em Cascais, organiza as festividades desse dia. Assim, das 18h 30m até às 21 horas, haverá Jazz tocado e cantado ao vivo nas ruas por diversos músicos e, depois das 22 horas, o espectáculo passará para o interior do Club.

Uma excelente oportunidade para um encontro com o Jazz.

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